22 Maio 2012

Esperando Peter.

04:15 da manhã. Dormir é uma fuga mais que esperada. E um luxo.

Pensamentos escravizam minha cabeça. Eu tento sair de mim, respirar, ser/fazer outra coisa. Mas como isso é possível? Me empurraram a pílula vermelha goela abaixo, eu simplesmente não tive escolha.

Deve ser muito penoso acompanhar esse blog. Certamente não mais do que escrevê-lo. Como eu gostaria que fosse diferente! 
Mas além de tudo que sempre foi errado desde o dia em que me descobri nesse mundo, merdas não param de acontecer. Eu sei, elas acontecem. Demais.

Uma das minhas maiores angústias sempre minha família. Verdade seja dita, aqui é mais uma agregação de indivíduos sofrendo uns aos outros. O ponto mais conturbado sempre foi meu pai.

O mito do super-herói não foi longe aqui, infelizmente. Meu pai não o permitiu.
Eu queria falar abertamente e detalhadamente sobre tudo, sobre como era assustador me esconder no armário,  como era ficar catatônica de pânico. Sobre como quando a gente é criança tem a inocência de achar que amanhã vai tudo ficar bem. Sobre como é difícil ouvir "eu não gosto de você" e ser alvo da maledicência paterna. 

Eu queria falar que a gente cresce e acredita que já sofreu tanto que criou imunidade, pele de rinoceronte ou coisa que valha. Não é verdade. Nem isso tudo, nem o alcoolismo - que praticamente destruiu tudo que poderíamos ter tido financeiramente e emocionalmente, nem a degeneração mental - que na verdade à essa altura não é mais exclusividade dele, conseguiram me esfriar. Eu queria que falar/escrever fosse uma catarse eficaz.

Uma tempestade ainda maior se aproxima e não consigo dormir com um barulho desse! Não consigo ver um sentido para tudo isso. Eu queria mesmo era dar de ombros e responder a vida à altura e ser uma puta para ela também, mas estou paralisada.

Não há atenolol que dê jeito. Talvez não seja o que é congênito. Talvez meu coração bata tão rápido porque quer gastar logo as baterias. Meu coração acelera de tristeza.

Não vou dormir, que venha Peter.

Just think of happy things, and your heart will fly on wings!
10 Maio 2012

This Is Not a mimimi.

Invisible, but present.

Então dia 12 de maio marca o Dia Internacional de Consciência da Fibromialgia. Taí algo desconhecido. Eu mesma só ouvi esta palavra - fibromialgia - há 3 anos, da pior maneira possível - da boca de uma reumatologista.

Esta não é uma postagem sobre o que é fibromialgia, mesmo porque eu já desempenhei este papel aqui quando me descobri portadora. Se você tem acesso a internet e está miraculosamente lendo este blog, certamente conhece o Google. Bateu curiosidade, recorra ao oráculo.

Como a maioria dos fibromiálgicos também tenho outros agravantes como depressão, stress, síndrome da fadiga crônica, síndrome disfuncional, fenômeno de Raynaud e enxaqueca com aura. Antes de ficar sem assistência médica (já há mais de um ano), descobri também uma hérnia de disco, uma tendinite no cotovelo e fiquei sob suspeita de artrite reumatóide (a qual não pude confirmar, porque parei o tratamento). Essa plêiade de doenças mimosas todas ligadas a fibro, não citando outras congênitas das quais sou portadora.

Esta semana larguei meu curso de artes visuais na ufpi pela terceira vez. Desta vez, definitivamente. Depois de tanto sacrifício. Lotada de problemas familiares (que eu não teria a coragem de citar aqui) e empecilhos, para não citar a saúde, leia-se a falta de. Fica difícil convencer a seus colegas, professores e coordenadores que você não é uma drama queen ou simplesmente uma malandra querendo angariar piedade de incautos. Fica difícil convencer que doença não tem cara, que o fato de eu estar maquiada, andando e sorrindo, não muda o fato de eu estar me sentindo muito mal.

Desta vez larguei o curso de vez. Fora os fatores supracitados, eu não tenho mais pique para estar na universidade de segunda a sexta até as 20h, correndo louca com mil trabalhos, sendo criativa, se tenho dificuldades até para assimilar um texto. E tudo isso permeado por muito julgamento e desconfiança alheia.
Haja frustração.

Não posso de forma alguma exigir que as demais pessoas tenham consciência de meu drama, se até eu mesma há pouco tempo não tinha. Só o que posso fazer é divulgar e esperar que um dia me levem a sério.
09 Maio 2012

Puppet Show

Tentativa = Erro

Nada mais aterrador que o som de uma ficha caindo.

Não sei se você lembra, mas quando uma ficha cai, das duas uma: ou você não conseguiu a ligação ou você terminou a ligação.
É o som da verdade. Aquela mesma da frase célebre que quando você a conhecer estará livre. Resta saber, livre de quê.
Essa tal verdade pode muito bem oprimir. Creio que ela desempenhe este papel várias vezes. Inexorável.
Daí não tem livreto de auto-ajuda, não tem O Segredo que teime em pintar suas lentes de cor de rosa. Você sai do camarim e passa a atuar nessa comédia dos erros e segue crendo piamente que está escrevendo sua história. As coisas vão tomando um rumo diferente, mas você segue acreditando que sua mente vai transformar todos os limões em limonada. Essa maravilha de subcultura em que vivemos que fica nos catequizando, dizendo que tudo vai dar certo no final e que se não deu é porque não é o final. Vambora, meu nego, que você apanha mais que sovaco de aleijado até descobrir que é tudo um jogo de cartas marcadas. Agora você sabe a verdade e ela te oprime.

Isso de que não há uma folha que caia sem o consentimento de Deus, ou da Natureza, ou do Karma, ou de Murphy ou dos impostos. Que seja! Só sei que bati de frente até agora e tenho arrepios só de pensar por que diabos estou aqui. Tô aqui me frustrando dia após dia... slowly, por que sadism is the new black and everybody likes it.
E todos os dias me curvo diante dessa impiedosa força que nesta vida me marcou para otária. 
KEEP CALM, RELAX AND FLOAT ON A BREEZE. E VÁ PARAR NA PORRA DE UMA LATA DE LIXO.
E no final, tudo isso te leva a três destinos: ou se é irritantemente feliz, ou se é miseravelmente triste ou como a maioria, você é normal e fica na coluna do meio. Infelizmente, minha vida é de extremos.
Sim,  a vida diz NÃO a todo mundo. Para alguns, no entanto, ela diz não sempre.

P.S.: Conclusões baseadas em fatos pessoais. Você não precisa concordar, discordar nem ao menos precisa ler. Cada um com seu cada um.
10 Abril 2012

Sorria, meu bem.

Smile, you have a blog.

Há quase 3 anos criei este blog. Não que isso seja lá algo difícil ou louvável. Qualquer um (até mesmo eu) pode fazer isso. Eu mesma já tive zilhões de outros blogs. Blogs estes que fiz questão de exterminar. Mas me apeguei a este aqui e embora eu quase nunca o atualize ou esteja feliz, ainda o exibo com um sorriso. Tá, um sorrisinho meio amarelo, aqueles de canto de boca, mas ainda sim, um sorriso.

Mais de um mês sem postar nada aqui. Claro que o mundo não parou, embora a vida teime em andar em círculos. Mas às vezes me sinto compelida a vir aqui e digitar qualquer asneira. Uma madrugada insone plus crise de fibro serão sempre desculpa pra qualquer coisa. Mesmo.

O que mudou em pouco mais de um mês em minha vida? Sinceramente, nada demais. Aquela velha e incontrolável vontade de viver. Criar, crescer, multiplicar, sair pelo mundo, fotografar a vida!
Daí o corpo não corresponde e cá estou, esboçando um sorriso no meu blog.

Diga "XIS"!

05 Fevereiro 2012
02 Fevereiro 2012

Uma nuvem pra explicar tudo.

desabafo

Eu de novo, minhas idas e vindas, mas anonimamente sempre aqui. Surprise surprise... tivemos mudanças. Pode escrever que quando eu sumo muito, tô me virando com os códigos xml, html, css da vida. E olha que desta vez procurei um designer de verdade, porque a fibro tá comendo meu cérebro, mas ninguém quis ou pôde ou era cara demais.

Daí que depois de quase 4 anos de blog, resolvi mudar o nome. Assim do nada. só que não.
Quando comecei a escrever aqui, boa parte das postagens era de segredos desinteressantes escritos de forma subliminar. Daí a referência a Caixa de Pandora, aquela menininha serelepe que um belo dia cansou de ser sexy e decidiu passar a perna na humanidade, espalhando por aí tudo que é merda. Serelepe que sou, decidi passar a perna na Pandora e cá estou eu. O blog agora se chama: Não é uma Nuvem Nove. TCHARAM! Nem, né?...

Como cheguei a este nome? Longa estória que tratarei de encurtar. Entre zilhões de músicas do Johny (John Lennon para os íntimos), Nobody Loves You When You're Down And Out, de Walls and Bridges é uma ode ao ser humano desesperado, traumatizado e ferrado neste mundo, ou seja eu. Lá na letra a expressão cloud nine, que se refere a uma extrema euforia, êxtase. Eu tô numa nuvem nove, só que não.

Este se tornou meu nome no twitter e internet há tempos. Mais recentemente numa conversa com a necessária @theexpearl, ela pam me chama de D. Nuvem. Saca Gilliard, o Shakespeare setentista 

Aquela nuvem que passa lá em cima sou eu... 

pois é. Só que não uma nuvem nove, uma nuvem carregada, viu!
Desde o visual anterior do blog eu trouxe uma nuvem escurinha, pra ficar lá no footer. Agora eu assumi esta porra de vez.

Nobody loves you when you're old and grey
Nobody needs you when you're upside dow
Everybody's hollerin' 'bout their own birthday
Everybody loves you when you're six foot in the ground.

12 Janeiro 2012

Não tentando explicar...

epitáfio?
É que eu tenho esse comportamento psicótico, tipo cachorro que corre atrás do próprio rabo, sabe? Acaba que eu quase sempre escrevo aqui para reclamar.

É que eu já gasto muita energia em minha vida diária agindo, ou melhor, atuando como se tudo estivesse bem. Esboçando um sorriso, meio que parecido com careta, mas que todo mundo acredita. Em geral as pessoas precisam acreditar, não é culpa delas, elas só não querem ter que lidar com certas coisas. E quem quer?

Acontece que meus pés nunca ficam muito tempo fora do chão. E nos últimos tempos eu tenho pesado bastante...

Não preciso me esforçar muito pra que a questão "mas-por-que-diabos-tanta-merda-junta-ao-mesmo-tempo-agora-e-todo-o-sempre?" apareça. Eu tô lá, na minha e ela se esfrega toda na minha cara, sem a menor cerimônia e para quem quiser ver.

E eu não admito sentir pena de mim mesma e chego a conclusão que só posso mesmo ser muito carne-de-pescoço, que tô aguentando é pouco, que preguei chiclete na cruz e fui cheerleader de Barrabás. Mas te digo: não é bolinho ver todos os seus limites sendo encurtados dia após dia, de pés e mãos atados, sem poder fazer porra nenhuma pra evitar.

Não muito curiosa pra saber pra onde tudo isso vai me levar. Sincerely.
«
     
    não é uma nuvem nove © 2012. Powered by Blogger.