É que eu tenho esse comportamento psicótico, tipo cachorro que corre atrás do próprio rabo, sabe? Acaba que eu quase sempre escrevo aqui para reclamar.
É que eu já gasto muita energia em minha vida diária agindo, ou melhor, atuando como se tudo estivesse bem. Esboçando um sorriso, meio que parecido com careta, mas que todo mundo acredita. Em geral as pessoas precisam acreditar, não é culpa delas, elas só não querem ter que lidar com certas coisas. E quem quer?
Acontece que meus pés nunca ficam muito tempo fora do chão. E nos últimos tempos eu tenho pesado bastante...
Não preciso me esforçar muito pra que a questão "mas-por-que-diabos-tanta-merda-junta-ao-mesmo-tempo-agora-e-todo-o-sempre?" apareça. Eu tô lá, na minha e ela se esfrega toda na minha cara, sem a menor cerimônia e para quem quiser ver.
E eu não admito sentir pena de mim mesma e chego a conclusão que só posso mesmo ser muito carne-de-pescoço, que tô aguentando é pouco, que preguei chiclete na cruz e fui cheerleader de Barrabás. Mas te digo: não é bolinho ver todos os seus limites sendo encurtados dia após dia, de pés e mãos atados, sem poder fazer porra nenhuma pra evitar.
Não muito curiosa pra saber pra onde tudo isso vai me levar. Sincerely.
Chame de superstição, toc, mania, mas sempre nesse período do ano tento organizar as coisas.
Na medida do possível.
Lidar com gavetas é um ato que deve ser praticado com cuidado redobrado e com muitíssima moderação (perdoem o antagonismo). Gavetas são na verdade um portal, que quando abertos podem sugar sua alma para um labirinto de lembranças e às vezes, não te devolvem intacto.
É perigoso se perder em gavetas. A tentação de olhar para trás e comparar com o agora pode ser irresistível. Certas gavetas deviam ter chaves. Chaves estas que deveriam ser esquecidas dentro de uma outra gaveta sem chaves, por precaução.
"Tenha cuidado com o que desejas, porque você pode acabar conseguindo!" -- Ameaçador, não?
Sabe, eu nunca acreditei nessa máxima (se é que isso pode ser chamado de máxima). Pra mim isso soa mais como frase feita de livro de auto ajuda.
Eu sempre tive motivos para não concordar com essa frase, já que eu só desejo tudo e nunca consigo porra nenhuma [mimimi mimimi]... Mas eis que a vida taí, toda faceira e marota nos passando verdades bem chatas na cara.
Tá, sou consumista. Quem não é hoje em dia? Mas há milênios não trocava de celular pelo simples motivo de não me interessar por nenhum. Tava tudo igual, tudo da mesma cor. Daí vi um motorola flipout e meus olhos brilharam, sinos tocaram, perfume de rosas invadiu o ar. Mas tava difícil encontrar, até mesmo pela internet. Aí estava eu um dia passeando no parque enquanto o Seu Lobo não vem acompanhando o namorido às compras e o belo saltou da prateleira na minha mão. Eu, a azarada de carteirinha, finalmente dei uma dentro. Tudo lindo, alta tecnologia, meu primeiro smartphone, sou enfim, uma cidadã do mundo.
Até que 18 dias depois o meu caso de amor com o flipout sofreu um golpe. Sim, você leu bem -- 18 dias, não 18 meses, ou 18 encarnações. Meros 18 dias. Motorola me abandonou em plena lua de mel.
Já são 3 meses de dor de cabeça, reclamações no chat da empresa, na central telefônica... 3 envios para a assistência matriz e a recusa de uma troca por um aparelho novo.
Um dia a gente acorda pra Jesus e aceita a salvação. Motorola never more. Acabo de decidir entrar na justiça. Não quero mais um aparelho novo, prefiro ser ressarcida no que perdi. É assustador o número de reclamações sobre a motorola e sua pífia desasistência nas redes sociais e em sites como o Reclame Aqui.
Pé-de-pato, mangalô, três vezes nesse exu! Nunca mais!
Ignorando a minha pilha de exames de imagem e recomendações médicas, se é que havia alguma dúvida de que estou de fato ficando velha, esta já não há mais. Ontem recebi a notícia de que serei tia-avó. Eu que não serei mãe e por conseguinte, não serei avó... serei pior, serei punk! Serei TIA-AVÓ!
Não consigo lembrar no momento de alguma outra denominação genealógica que te faça parecer mais acabada. Sou de extremos, sou tia-avó.
Sempre fui muito musical, desde pirralha. Entre minhas metas infantis ser cantora estava ao lado de arqueóloga, designer, escritora, pintora e mãe. Quando eu tinha uns 4 anos, uma tia querida trouxe do Rio uma gaita, o sonho de toda moleca de 4 anos, saca? Minha carreira acabou precocemente quando a roubaram, como se rouba doce de criança.
Aos 10, entrei para o coral da escola. Não era muito dedicada aos exercícios vocais (já tentou fazer aquelas caras e bocas em público?), mas concordaram que eu era boa e devia cantar no coral. Meu primeiro e único show foi durante a missa de Dia das Mães, onde prontamente me instalei atrás do trono do padre, assim ninguém me veria cantando.
Aos 19, tentei o violão. Tirei alguns acordes, mas tipo, nunca terminei o Andantino. E quem foi o ser sem coração que inventou a tal pestana mesmo??
Toda essa encheção de linguiça só pra vocês entenderem que música é minha vida, em todos os momentos e como escuto MUITA música, ela me desperta os mais diversos sentimentos.
Falemos então de músicas que me dão medo. Medo não como um eufemismo, tipo tenho muito medo de ouvir sei lá, calypso, mas medo mesmo, real, entende? Não? Xô ver se posso clarear suas idéias.
Nucleogenesis -- Parte One (Vangelis):
Vangelis ganhou meu coração com One More Kiss, Dear, que está na soundtrack de Blade Runner, mas Nucleogenesis -- Parte One é coisa do capeta! Esta sempre tocava no SBT quando iam mostrar alguma tragédia, é a versão sbtêsística do Plantão da Globo, que me deixa tensa, mas não com medo. Já Nucleogenesis -- Parte One me dá calafrios! Posso dizer que já tive pesadelos com ela.
Ho Bisogno Di Te -- Nini Rosso:
Alguém aí lembra das famigeradas coleções intermináveis de Músicas Inesquecíveis? Minha mãe sempre comprava estes vinis, eu eu sempre dava dou chilique quando toca esta. Ouvi falar que o tal Nini era um gênio do trompete e talz, mas cara, eu tenho MUITO MEDO desta música até hoje. Ela é italiana e nem sei o que diz a letra, pesquisando descobri que foi trilha de uma filme italiano de suspense dos anos 60. Eu choro, viu?
Jorge da Capadócia -- Fernanda Abreu:
Ê, anos 90! E quando eu falo que tenho medo desta música, ninguém acredita. Tá, é uma oração bonita, forte, mas sabe quando você liga uma música a uma situação que acontecia quando a tal música tocava? BINGO! Não vou nem comentar que situação bizarra foi (ninguém ia acreditar DE NOVO), mas que marcou, marcou. E no mal sentido.
Bora de filme de terror? Todo pirralho que se preze adora filme de terror. Coloca a mão no rosto nas cenas de susto, mas ainda assim dá um jeitinho de enxergar por entre os dedos. Essas três canções-tema ainda hoje me deixam de cabelo em pé. Mesmo!
The Burning Movie Theme (Piano):
O filme é sobre um cara chamado Cropsy, que foi queimado por uns mauricinhos no acampamento Black Foot e volta para se vingar, todo derretido e com sua hiper-mega-ultra-blaster tesoura de jardineiro. Mas o que me dava dá medo mesmo era é a música do final. É uma composição triste, suave e sinistra (Me refiro aqui somente a parte do piano). Eu tinha tanto medo desta que era só meu irmão começar a solfejar "tan tan tan tantantannnnn... tan tan tan tantannnnnn" pra eu abrir o berreiro e sair correndo. Admito que ainda fico meio estranha quando escuto.
Hammer House of Horror Theme Song:
Aqui era exibido como A Casa do Terror, se não me engano toda sexta-feira tarde da noite, quando em geral meus pais não estavam em casa, já viu tudo, né? Todo mundo grudado na tv e morrendo de medo ao mesmo tempo. Musiquinha bizarra.
1, 2 Freddy's Come To You:
Nada mais assustador que: CRIANÇAS! Isso mesmo, não tenho medo do Freddy, mas essa musiquinha...
One, Two Freddy's come to you
Three, Four better lock your door
Five, Six grab your crucifix
Seven, Eight gonna stay up late
Nine, Ten never sleep again...
E eu aqui, plena madrugada escrevendo esse post e tendo que ouvir as tais músicas. Vou ali limpar minha mente com uma comédia antes de dormir!
Sinto falta da caixa. Sinto falta dessa capacidade de escrever mimimis, de reclamar até cansar, porque afinal sou dona desta porra e pelo menos aqui eu posso (ou acho que).
Uns quatro meses (!!) desde a última postagem. O que mudou de lá pra cá além do painel do blogger? Muito coisa, coisa alguma, nem sei mais. Eu aqui digitando um texto tacanho, nonsense, só porque senti falta de.
Ontem durante todo o dia testemunhei da comoção às piadas de mau gosto previsíveis. Sim, este post é mais um dentre tantos outros que jorram agora pela web sobre a morte da Amy.
I died a hundred times.
Na verdade, senti que deveria postar algo, mas sei nem bem o que dizer. Todo mundo já disse tudo! Todo mundo já deu suas condolências, ou gargalhou, ou fez o "tô nem aí", ou exercitou seu humor.
Uma morte anunciada, uma tragédia ambulante e bla bla bla. Todo mundo sabe, todo mundo viu, todo mundo é o técnico da Seleção Brasileira de Futebol.
Fazendo jus ao meu blog pessoal, deixo de lado o lugar-comum e falo o que eu realmente penso e sinto.
Não lembro exatamente quando foi a primeira vez que ouvi o rosnar desesperado e emocionado de Amy, mas lembro o que senti. Alívio!
Ela soava diferente de tudo o que estava sendo feito, tudo que era plastificado, coreografado e autotunado. Era como Billie Holiday voltando a vida com sua enorme gardênia. Eu dei graças a Deus.
O resto da história todo mundo sabe, o clichê.
Depois veio Corinne Bailey Rae. Abençoada seja! Ainda existe música boa nesse mundo.
Mais recentemente veio Adele, e a sensação se repetiu. E espero que se repita ainda mais. Espero que verdadeiros talentos se mostrem e sejam propriamente admirados, porque não sei quanto a vocês, mas eu careço disso. Mas tudo começou com Amy. Digo, quando ela surgiu o rock, jazz, r&b e o soul estavam no vale da sombra da morte, respirando apenas através dos maravilhosos ícones de gerações passadas. Através dela, muita gente bem mais nova do que eu pôde finalmente ter uma diva de sua própria geração, ainda que retrô.
Eu não sou burra. Tragédia é tragédia e comédia é comédia. Comédia, você casa. Tragédia, você morre. E para mim, tragédia não tem graça nenhuma.
All my life I have been loud, to the point of being told to shut up. The only reason I have had to be this loud is because you have to scream to be heard in my family. My family? Yes, you read it right. My Mum’s side is perfectly fine, my Dad’s family are the singing, dancing, all-nutty musical extravaganza. I’ve been told I was gifted with a lovely voice and I guess my Dad’s to blame for that. Although unlike my Dad, and his background and ancestors, I want to do something with the talents I’ve been ‘blessed’ with. My Dad is content to sing loudly in his office and sell windows. My mother, however, is a chemist. She is quiet, reserved.I would say that my school life and school reports are filled with ‘could do betters’ and ‘does not work to her full potential’. I want to go somewhere where I am stretched right to my limits and perhaps even beyond. To sing in lessons without being told to shut up (provided they are singing lessons). But mostly I have this dream to be very famous. To work on stage. It’s a lifelong ambition. I want people to hear my voice and just…forget their troubles for five minutes. I want to be remembered for being an actress, a singer, for sellout concerts and sellout West End and Broadway shows. For being just…me.