04:15 da manhã. Dormir é uma fuga mais que esperada. E um luxo.
Pensamentos escravizam minha cabeça. Eu tento sair de mim, respirar, ser/fazer outra coisa. Mas como isso é possível? Me empurraram a pílula vermelha goela abaixo, eu simplesmente não tive escolha.
Deve ser muito penoso acompanhar esse blog. Certamente não mais do que escrevê-lo. Como eu gostaria que fosse diferente!
Mas além de tudo que sempre foi errado desde o dia em que me descobri nesse mundo, merdas não param de acontecer. Eu sei, elas acontecem. Demais.
Uma das minhas maiores angústias sempre minha família. Verdade seja dita, aqui é mais uma agregação de indivíduos sofrendo uns aos outros. O ponto mais conturbado sempre foi meu pai.
O mito do super-herói não foi longe aqui, infelizmente. Meu pai não o permitiu.
Eu queria falar abertamente e detalhadamente sobre tudo, sobre como era assustador me esconder no armário, como era ficar catatônica de pânico. Sobre como quando a gente é criança tem a inocência de achar que amanhã vai tudo ficar bem. Sobre como é difícil ouvir "eu não gosto de você" e ser alvo da maledicência paterna.
Eu queria falar que a gente cresce e acredita que já sofreu tanto que criou imunidade, pele de rinoceronte ou coisa que valha. Não é verdade. Nem isso tudo, nem o alcoolismo - que praticamente destruiu tudo que poderíamos ter tido financeiramente e emocionalmente, nem a degeneração mental - que na verdade à essa altura não é mais exclusividade dele, conseguiram me esfriar. Eu queria que falar/escrever fosse uma catarse eficaz.
Uma tempestade ainda maior se aproxima e não consigo dormir com um barulho desse! Não consigo ver um sentido para tudo isso. Eu queria mesmo era dar de ombros e responder a vida à altura e ser uma puta para ela também, mas estou paralisada.
Não há atenolol que dê jeito. Talvez não seja o que é congênito. Talvez meu coração bata tão rápido porque quer gastar logo as baterias. Meu coração acelera de tristeza.
Não há atenolol que dê jeito. Talvez não seja o que é congênito. Talvez meu coração bata tão rápido porque quer gastar logo as baterias. Meu coração acelera de tristeza.
Não vou dormir, que venha Peter.
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